quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



  Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, alegre quem o observasse. 
  Um dia, uma mulher viu este pássaro e se apaixonou por ele. Ficou olhando o seu vôo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rápido, os olhos brilhando de emoção convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.
  Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.
  E sentiu-se sozinha.
  E pensou: “ Vou montar uma armadilha. A próxima vez que o pássaro surgir, ele não mais partira.”
  O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi presa na gaiola.
  Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objeto de sua paixão, e ela mostrava para as suas amigas, que comentavam: “Mas você é uma pessoa que tem tudo.” Entretanto, uma transformação começou a processar-se? Como se tinha o pássaro, e já não precisava conquistá-lo, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e exprimir o sentido de sua vida, foi definhado, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não prestava mais atenção nele, apenas na maneira como o alimentava e como cuidava de sua gaiola.
  Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e vivia pensando nele. Mas não lembrava da gaiola, recordava apensa o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre nuvens.
  Se ela observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
  Sem o pássaro, sua vida também perdeu o sentido e a morte veio bater á sua porta. “ Por que você veio? “, perguntou á morte.
“ Para que você possa voar de novo com ele nos céus”, respondeu a morte. “ Se o tivesse deixado partir e voltar sempre, você o amaria e o admiraria ainda mais; entretanto, agora você precisa de mim para poder encontrá-lo de novo.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário